Temer tem sido contestado por movimentos feministas, porque nenhuma mulher foi escolhida para ocupar um cargo importante no novo Governo.

Manifestação de mulheres contra Temer

O Presidente brasileiro interino Michel Temer tem sido contestado por movimentos feministas, por nenhuma mulher ter sido escolhida para ocupar um cargo importante no novo Governo. A homogeneidade branca e masculina do novo governo interino do Brasil tem sido noticiada pela imprensa internacional, reforçando a perceção de um país retrógrado.

O Brasil passou assim a pertencer ao grupo de países sem mulheres no governo como a Arábia Saudita, o Paquistão, a Bósnia Herzegovina, Brunei, Tonga, Vanuatu, Hungria e Eslováquia. Muitas pessoas traçaram um contraste visível com o governo de Justin Trudeau, o primeiro-ministro canadiano eleito em 2015.

No dia 15 de maio, milhares de mulheres manifestaram-se na Av. Paulista, contra Temer.
O protesto foi convocado nas redes sociais com o nome “Mulheres contra Temer!” e reuniu também representantes do movimento negro, de grupos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais) e de movimentos estudantis. Segundo os organizadores, estiveram presentes 10 mil pessoas.
Durante o protesto ouviu-se: “a passeata é pelo amor, não seremos o país do ódio e do machismo.

Numa entrevista a um programa da TV Globo, Temer garantiu que iria incluir “representantes do mundo feminino” no seu Governo.

Outra campanha feminista que se destacou recentemente foi #AgoraÉQueSãoElas, que chamou à atenção para a baixa participação feminina nos media e no discurso político no Brasil.

"Estamos diante de um governo que naturaliza a desigualdade de género e entende que o lugar da mulher não é na política. A brasileira vai ter que participar nas ruas e nas redes: protestando e defendendo os seus direitos dos muitos ataques que este grupo que hoje dirige o país deseja encampar" explicou Manoela Miklos, autora da ideia, à Deutsche Welle.

O Fórum da Eurolat que reúne apenas os parlamentares latino-americanos divulgou um comunicado criticando a ausência de mulheres no ministério de Temer. Em 2016 é inconcebível um governo sem a representação das mulheres e das minorias. As conquistas e os direitos das mulheres estão relacionados diretamente aos espaços políticos de participação e representação”, lê-se no comunicado.

A recente extinção do Ministério da Cultura provocou também uma onda de contestação quase generalizada no país. Um grupo de artistas e outros profissionais do setor cultural, liderado pela Associação Procure Saber e pelo GAP – Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música (que inclui figuras como Roberto Carlos, Caetano Veloso e Fernanda Abreu), publicou uma carta-aberta dirigida a Temer e classificou a decisão do Presidente como um grande retrocesso. Após estas críticas Temer anunciou, dia 21 de maio, que iria recuperar o Ministério da Cultura.

Esta semana Temer nomeou duas mulheres: a economista Maria Silvia Bastos Marques como a nova presidente do BNDES, banco estatal de fomento económico e social; e a jurista Flavia Piovesan para dirigir a secretaria de Direitos Humanos, subordinada ao Ministério da Justiça, depois das várias críticas devido à ausência de mulheres no governo.

Dilma Rousseff foi afastada temporariamente pelo Senado por um prazo máximo 180 dias.

Fontes: Observador, Público, Sputnik e DW





Manifestação em Cannes contra o novo governo
Partilha:

Comentários:

2 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. - Extinção do Ministério Público;
    - Suspensão de várias contratações do Minha Casa, Minha Vida (ora li que sim, ora li que não e obviamente espero que o não seja o correcto);
    - Extinção de verbas para o SAMU e a Farmácia Popular;
    - O homem só acordou e colocou mulheres no Governo após uma onda de protestos;
    - Aguardemos por mais medidas retrógradas e egoístas.

    Até o senhor que trabalhava como garçom há nove anos, no Palácio do Planato, foi despedido :\ Aquele Temer faz mesmo jus ao nome.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Mel,

      Só falta adicionar que o novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é conhecido por ser um dos maiores produtores e exportadores de soja do país e que em 2005, recebeu o anti-prémio Motosserra de Ouro, criado pela Greenpeace para personalidades que contribuem para a desflorestação da Amazónia...

      Um abraço

      Eliminar

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.