A Bayer confirmou dia 19 de maio, num comunicado, que pretende adquirir a Monsanto.



O grupo farmacêutico e químico alemão Bayer confirmou dia, 19 de maio, num comunicado, a informação de que pretende adquirir a empresa norte-americana de agricultura e biotecnologia Monsanto, o que tornaria a gigante alemã na líder mundial da produção de sementes e de herbicidas.

“Representantes da Bayer reuniram-se recentemente com membros da gerência da companhia Monsanto para falar, confidencialmente, sobre uma aquisição de comum acordo”, assinala o grupo alemão no comunicado.

O grupo Monsanto divulgou um documento no qual assegura que recebeu uma oferta de aquisição por parte da Bayer, mas evitou revelar o valor da mesma, informando tratar-se de uma “proposta não vinculante e não solicitada”.

A Monsanto tem uma capitalização de 42 mil milhões de dólares (37,443 milhões de euros) e fatura cerca de 15 mil milhões de dólares por ano com a venda de sementes geneticamente modificadas e de herbicidas. No ano passado, a Bayer teve um volume de negócios de 46 mil milhões de euros.

Se a intenção for levada adiante, o processo de aquisição terá de ser aprovado pelas autoridades antitrust dos EUA, onde poderá enfrentar dificuldades por causa do domínio da nova empresa no setor das sementes e herbicidas. Segundo o The Wall Street Journal, juntas, a Bayer e a Monsanto controlariam 28% das vendas de herbicidas no mundo. Seriam também muito fortes no mercado das sementes dos cereais e da soja nos EUA.

A Monsanto é muito forte nos EUA, e a Bayer, na Europa e na Ásia. No ano passado, a Monsanto tentou adquirir a concorrente suíça Syngenta, que que em fevereiro foi adquirida pelo grupo chinês ChemChina por 48 mil milhões de dólares.

A notícia teve repercussões na Bolsa de Frankfurt, as ações da Bayern caíram 7,9% na manhã do dia de 19 de maio.
A Monsanto atravessa um período complicado, tendo reduzido as previsões de crescimento para este ano e anunciado um corte nos postos de trabalho.

Vários países europeus estão contra a utilização do glifosato, substância utilizada nos herbicidas, designadamente no Round Up, da Monsanto, que, segundo alguns especialistas, é suspeita de ser cancerígena. A licença para o uso do glifosato na União Europeia acaba no fim de junho, e a renovação está a ser analisada pelas autoridades europeias. Uma petição a decorrer em Portugal contra o uso de glifosato tem já mais de 15 mil assinaturas.

ATUALIZAÇÃO - No dia 23 de maio, a Bayer lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Monsanto no valor de 62 mil milhões de dólares (55 mil milhões de euros), a qual foi recusada pela Monsanto, no dia 24 de maio.



Fontes: Público, DW e Jornal i
Foto: © Ina Fassbender
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