Descubra os lugares de lendas e encontros com elfos marcados num mapa fantástico da Islândia, desenvolvido pelo projeto Sagnagrunnur.

Mapa dos elfos na Islândia

Segundo a National Geographic, 54% da população islandesa acredita em elfos ou admite a possibilidade da sua existência. A crença de que o Huldufólk (“o povo escondido”) ainda possa andar por aí, entre as rochas, já levou a que se modificassem planos de construção de estradas e casas, na Islândia, para se evitar danificar os sítios onde se acredita que eles possam viver. Agora existe um mapa detalhado que mostra, com precisão, onde estão localizados esses sítios.

Começado em 1999, o projeto Sagnagrunnur conta com uma base de dados que reúne informação de cerca de 10 100 lendas islandesas e que inclui, na sua fase mais recente, um mapa que liga os contos populares, onde aparecem seres fantásticos como elfos, trolls, feiticeiros, fantasmas e criaturas marinhas, aos próprios locais mencionados neles.

Fazendo zoom em qualquer parte do mapa, descobre-se uma quantidade incrível de lugares de supostos encontros com o povo escondido, espalhados por quase todo o território pouco populado da ilha. Informações sobre a localização das casas dos próprios contadores de histórias e dos compiladores, assim como um resumo das histórias e contos ligadas ao local, também nos são oferecidas na sua língua original.

Pode visitar o mapa e o site do projeto Sagnagrunnur aqui.

Casas na Islândia
Fotografia de Macduff Everton

A paisagem da Islândia é propícia à criação de histórias fantásticas sobre seres não-humanos. As terras altas, com os seus glaciares, deserto vulcânico e quase nenhum habitante, terão levado os islandeses, nos tempos antigos, a povoar a sua paisagem com seres da natureza. Não são os islandeses que são inerentemente mais suscetíveis a crenças no sobrenatural, são os extremos naturais da ilha, onde têm vivdo pouco dispersos, juntamente com o vazio da paisagem inóspita, quase sinistramente bela, que tornam, de algum modo, a existência de presença não-humana mais credível.

As lendas fantásticas marcadas neste mapa são, por contraste, sobre preocupações bem humanas. As histórias islandesas com huldufólk eram, como todos os contos do folclore, veículos para as pessoas comuns explorarem os seus interesses e preocupações diárias – fome, romance, disputas – através de representações sobrenaturais cuja forma e estatura ainda se assemelhavam à sua própria. Como Terry Gunnell, professor da Universidade da Islândia e um dos co-criadores do projeto, comentou na introdução de uma compilação de contos tradicionais islandeses, os elfos são:

“Quase imagens refletidas dos mesmos seres humanos que contaram as histórias sobre eles – só que esses eram belos, poderosos, cativantes, estavam livres de preocupações, enquanto os islandeses se encontravam, muitas vezes, a passar fome ou a lutar pela sua subsistência. Os huldufólk parecem representar, em muitos aspetos, os sonhos dos islandeses de uma existência mais perfeita e feliz”.

Outra das impressões com que se fica destes contos é a de pessoas a tentar viver em harmonia, ou pelo menos a tentar chegar a acordo, com o inóspito ambiente que as rodeia.
Diz-se que os elfos islandeses vivem debaixo de rochas e que são os descendentes dos filhos que Eva escondeu de Deus porque não tinham sido lavados ou que são anjos caídos. Eles surgem como representações da própria paisagem. Num dos contos, por exemplo, um elfo oferece um festim a um pescador como agradecimento por ter impedido a sua tripulação de atirar pedras a uma rocha – salvando assim a vida do filho do elfo, que estava a dormir debaixo dela. Outro conta a história de uma mulher que esfregava a roupa numa rocha e foi recompensada por um elfo com um copo de leitelho. Ao esfregar a pedra, ela tinha, inadvertidamente, lavado a casa do elfo. Não é difícil ver estas histórias como exortações para se tratar a natureza com respeito.

A Islândia pode parecer severa e árida, mas tem servido de alimento à imaginação – imaginação esta que tem visto, ao longo dos séculos, a grave paisagem vulcânica como estando cheia de vida. Redirecionar os planos de uma estrada para evitar uma pedra feérica famosa pode parecer absurdo, mas a intenção por trás desse gesto – de respeitar, proteger e de tentar equilibrar as necessidades humanas com as dos outros – é algo com que todos poderíamos aprender.

Saiba mais em Sagnagrunnur

Fontes: CityLab e Sagnagrunnur
Partilha:

Comentários:

1 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. ADOREI , É ALIÁS um tema que sempre me fascinou e me interessou investigar e, inclusivé, tirar Cursos canalizados , sobre estes Seres maravilhosos, com vitorino de Sousa e, Esmeralda Rios - Anura - que é o mesmo que Gaia.

    ResponderEliminar

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.