Sheilah Graham, a detetive de animais que já resolveu mais de70 casos.

Reencontro com o seu cão

Sheilah Graham é funcionária do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante o dia e “detetive” à noite. Mas não uma detetive qualquer – Sheilah procura animais perdidos no seu tempo livre. Não é paga para o fazer e já conta com o impressionante número de mais de 70 casos resolvidos, tendo, num dos quais dirigido cerca de 3200 km para reunir um cão com o seu dono.

A detetive de 49 anos ainda se lembra bem do caso do cão Murphy. Murphy estava perdido e tinha conseguido evitar todas as tentativas de captura por parte dos funcionários do Centro de Recolha Animal de Rhode Island. O astuto cão conseguia sempre roubar o engodo das armadilhas, mantendo o suficiente do seu corpo fora dela para garantir a sua fuga. O Inverno desse ano estava a ser rigoroso e os funcionários decidiram chamar Sheilah para lhes dar uma mão.

A detetive estudou os movimentos do animal, recorrendo a milhares de fotografias, preparou uma armadilha especial para o elusivo e esfomeado cão e passou alguns dias a habituá-lo à armadilha, deixando-o entrar e sair dela à vontade. Até ao dia em que todas as condições estavam reunidas. Murphy entrou 3 vezes na armadilha, mantendo, cautelosamente, a sua parte posterior fora. À quarta vez, entrou completamente e a porta da armadilha fechou-se.
“Murphy estava finalmente em segurança”, conta a detetive. “Embora não estivesse nada feliz.” Isto mudou quando, graças ao seu microchip, conseguiram encontrar o dono que já estava à procura do cão – que afinal se chamava Phillip – desde o Outono do ano anterior.

“Fico feliz com cada reunião”, diz Sheilah Graham. “Quando aquela porta se fecha e o cachorro fica em segurança, as lágrimas costumam cair.”
A sua técnica calma e calculada tornou-a numa especialista nesta área.
Há o caso de Belle, que se perdeu enquanto visitava Rhode Island e passou 35 dias perdida até ela a encontrar.

“Eu mantenho-os [os donos] ocupados, mantenho-os motivados. O mundo deles está a desmoronar-se à sua volta. Se nunca perdeu um cachorro, não conseguirá compreender pelo que eles estão a passar”, explica.
Para manter os donos ativos, a detetive costuma recruta-los para o caso, passando horas com eles ao telefone, discutindo a personalidade dos seus cães, os seus hábitos e o que lhes desperta interesse.

Também houve o caso de Bean, que se perdeu em Providence. A sua busca levou a que encontrasse outro cão, chamado Hank, que estava perdido há quase 5 meses. Sheilah apanhou ambos os cães com uma diferença de 4 dias entre eles.

Os seus métodos incluem entrevistas meticulosas com os donos. “Qualquer detalhe, independentemente de que lhe pareça insignificante a si ou a qualquer pessoa, pode ser o detalhe crítico de que preciso.”

E depois há câmaras de vigilância, mapas e as armadilhas – porque quando se trata de um animal de estimação perdido, a última coisa que se quer fazer é persegui-lo.
“Infelizmente, um cão perdido raramente reconhece a voz do seu dono”, explica. “Quando estão em modo de sobrevivência, estão preparados para lutar ou para fugir e a maioria acaba por fugir. E com 4 patas no chão e um centro de gravidade mais baixo, são muito mais ágeis do que qualquer pessoa a tentar apanhá-los.”

Não trabalha a solo e o seu trabalho envolve uma vasta rede – depois de se receber informação de um avistamento, colocam-se posters, fazem-se telefonemas e perscrutam-se as redes sociais.
Mas o que motiva Sheilah Graham, caso após caso, é a reação das pessoas – e dos cães – quando se apercebem que afinal não perderam os seus melhores amigos.
Essa é a minha recompensa – a cauda deles a abanar, os sorrisos dos donos e as lágrimas.

Fonte: The Dodo

Família reencontra o seu cão
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