A cada minuto, o Brasil perde uma área de floresta do tamanho de 2 campos de futebol, apesar das tentativas para acabar com o abate de árvores ilegal.

Desflorestação da Amazónia, Porto Velho, Rondónia

A cada minuto que passa, o Brasil perde uma área de floresta tropical do tamanho de 2 campos de futebol, apesar das tentativas para acabar com o abate de árvores ilegal e para melhorar os direitos de propriedade.
As taxas de desflorestação no Brasil diminuíram, significativamente, entre 2004 e 2010, mas têm voltado a aumentar nos últimos anos devido à falta de inovação e de planeamento por parte do governo, segundo conta Tasso Azevedo, ex-diretor geral do serviço florestal brasileiro, à Reuters.

Preservar as florestas é essencial para ao saúde do planeta, uma vez que as árvores são fundamentais para providenciar oxigénio e absorver o carbono da atmosfera. As florestas são, também, a casa de centenas de milhares de pessoas que estão dependentes delas para a sua subsistência.
“Em alguns casos, estamos a andar para trás”, avisa Tasso Azevedo, apontando uma fraca cooperação entre os departamentos governamentais concorrentes e a sociedade civil no Brasil.

“Não é o problema de um ministério – é o problema de como o governo tem sido estruturado nos últimos anos”, explica.
As entidades governamentais não estão tão dispostas a aceitar ajuda da sociedade civil, diz o ex-diretor do serviço florestal, e as agências ambientalistas oficiais estão menos abertas a novas ideias e estratégias.

Como parte de um plano de ação nacional, o Brasil comprometeu-se a eliminar a desflorestação ilegal e a restabelecer e reflorestar 12 milhões de hectares de terra, até 2030.

De acordo com um estudo de 2015 publicado na “Global Change Biology”, a taxa de desflorestação da Amazónia brasileira teve uma descida de quase 80% entre os anos de 2003 a 2013. Esta taxa tem vindo a subir e, hoje em dia, o país perde cerca de 5000 km² de floresta Amazónica anualmente, um dos maiores declínios absolutos de qualquer país, segundo Tasso Azevedo.
Mas, de acordo com Eduardo dos Santos, embaixador do Brasil na Grã-Bretanha, o país está a trabalhar para contrariar esta tendência, tendo, por exemplo, lançado um programa de R$33,7 milhões ($9,6 milhões) para projetos, de modo a apoiar a recuperação, conservação e o uso sustentável da Amazónia.

Cerca de 80% da desflorestação a acontecer na floresta tropical da Amazónia é o resultado de atividades ilegais. Os madeireiros ilegais têm mudado as suas estratégias, ao mover a madeira de uma região para outra para ocultar o seu ponto de origem. E os esforços para localizar as cadeias de fornecimento não têm conseguido acompanhar estes criminosos hábeis, explica Tasso Azevedo, que é, atualmente, diretor do grupo ambientalista MapBiomas.
Apesar das autoridades recolherem, todos os meses, informação por satélite que mostra a exploração madeireira ilegal, deixaram de publicar estas atualizações regularmente, sendo a razão porque o deixaram de fazer desconhecida. Segundo o coordenador do MapBiomas, isto faz com que seja mais difícil envolver o público para pressionar as empresas e os políticos para que ajam com urgência.

Alguns conservacionistas temem que a atual recessão do Brasil – a pior desde os anos 30 – leve os políticos a relaxar as normas ambientais e a proteção da titularidade sobre a terra, fazendo com que mais recursos naturais sejam explorados para impulsionar o crescimento. No entanto, Tasso Azevedo não concorda com esta noção. O período em que observamos o crescimento económico mais rápido no Brasil foi o mesmo em que vimos a maior diminuição na desflorestação.”

Fonte: Fundação Thomson Reuters
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