Bisonte europeu livre na natureza

O bisonte europeu, extinto, no seu estado selvagem, em 1919, está a regressar às florestas e planícies de alguns países do continente. Os primeiros 4 de um grupo de 11 animais – o maior mamífero terrestre da Europa – foram reintroduzidos nas florestas da Holanda, em março deste ano.

O governo holandês espera que os animais cuidadosamente selecionados – 3 machos e 8 fêmeas – se multipliquem. Num cercado com uma área de cerca de 1500 ha, na província de Noord-Brabant, a manada de bisontes europeus (bison bonasus) servirá, eventualmente para repovoar outras partes do continente, de acordo com Frans Schepers, diretor administrativo da organização sem fins lucrativos, sedeada na Holanda, Rewilding Europe. O grupo supervisiona a criação de bisontes a partir de animais que sobreviveram em zoos depois de terem sido dizimados no seu estado selvagem.

Esta é a 2ª reintrodução do bisonte na Holanda, tendo a 1ª ocorrido na Reserva Natural de Kraansvlak, em 2007. Em 2014, estes animais também tinham sido reintroduzidos na Roménia.
A espécie foi selecionada pelo seu papel-chave na recuperação dos ecossistemas das florestas e planícies da Europa. Segundo Schepers, este projeto não se centra apenas na reintrodução de animais nos seus habitats. Trata-se de permitir que os processos naturais assumam o controlo, tanto quanto possível.
O bisonte desempenha um papel importante na fertilização das ervas e pastos, que se tornam alimento para veados e muitos outros animais. Este bovino também é uma fonte de alimento importante para lobos e outros predadores e para os abutres, depois de morrerem.

É por estas razões que a Rewilding Europe, juntamente com outros parceiros, tem vindo a introduzir, lentamente, este animal na Europa, ao longo dos últimos anos.
Dos 5000 animais que restam no continente, 3500 vivem já em estado selvagem ou semi-selvagem. As manadas maiores encontram-se na Polónia e na Roménia, mas os cientistas acreditam que se possam estender a outras zonas. Outras espécies-chave visadas neste projeto incluem: castores, que ajudam a definir os pantanais; veados-vermelhos e cavalos selvagens, importantes para as florestas e planícies; e mesmo os extintos auroques, os antepassados selvagens do gado doméstico atual.
Para Schepers, estes esforços não são para trazer de volta o passado. “As pessoas influenciaram a natureza, por isso o que nós procuramos são espécies-chave, que costumavam existir numa área, que possam definir esta nova paisagem, num contexto moderno”, afirma.

Pintura rupestre de um auroque

Para “ressuscitar” o auroque, um bovino que media cerca de 1,80 metros e que pesava quase uma tonelada, os cientistas têm vindo a cruzar velhas linhagens de gado doméstico. Os auroques entraram em extinção no séc. XVII, em 1627, mas existem muitas gravuras detalhadas da sua aparência e fósseis. Ao selecionar gado com mais semelhanças genéticas aos auroques e ao cruzar os espécimes com características semelhantes às dos seus antepassados, os cientistas estão a conseguir animais “parecidos com o original”, diz Schepers.

No entanto, ainda existem desafios. As populações de muitos dos animais que estão a ser reintroduzidos foram tão devastadas que não resta muita diversidade genética. Os cientistas têm-se esforçado por maximizar o que têm, mas os animais estão, mesmo assim, sujeitos a doenças e outros problemas de consanguinidade. E com predadores, como lobos e ursos, a regressar, lentamente, ao continente, conflitos com as populações locais tendem a aumentar. Por outro lado, o facto de as pessoas estarem a mudar-se, cada vez mais, para as cidades, significa que há mais terra livre na zona rural, pronta para a reintrodução de espécies selvagens.
O principal objetivo de se reintroduzir o bisonte e outros animais é o de “fazer com que a natureza selvagem se torne numa parte normal da Europa moderna, defende Schepers.

Fonte: National Geographic
1ª Foto: Staffan Widestrand, Rewilding Europe
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