O assassinato dos ativistas Berta Cáceres e Nelson García levou bancos europeus a suspender o financiamento da barragem de Água Zarca.

Berta Cáceres

Os recentes assassinatos de dois ativistas ambientais nas Honduras, Berta Cáceres e Nelson García, levaram dois bancos de desenvolvimento europeus a anunciar que iriam suspender o financiamento de projetos nas Honduras.

As Honduras são o país mais perigoso do mundo para ativistas ambientais, com 101 mortes entre 2010 e 2014, segundo o The Guardian.

Berta Cáceres, vencedora do Prémio Ambiental Goldman 2015 e fundadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas (COPINH), foi assassinada a tiro, na sua casa, no dia 3 de março. Outro membro do COPINH, Nelson García, foi baleado a caminho de casa para ir almoçar, no dia 15 do mesmo mês.

Berta tinha passado os últimos 10 anos a protestar contra a construção do projeto hidroelétrico de Água Zarca, que a ativista hondurenha acreditava que iria ter um impacto negativo no povo indígena Lenca, cortando o seu acesso ao rio e ameaçando o seu modo de vida. Nelson passou a manhã do dia em que foi assassinado a ajudar a comunidade de Río Chiquito a desmontar as suas casas na sequência de um aviso de despejo por parte do governo.

A 16 de Março, o FMO (o banco de desenvolvimento holandês) declarou que não iria continuar a financiar o projeto de Água Zarca. “Apelamos ao governo das Honduras para que faça tudo no seu poder para parar a violência e assassinatos a decorrer no seu país. A liberdade de expressão para aqueles que reivindicam os seus direitos e a subsistência das pessoas são de grande valor para o FMO. Todas as pessoas deveriam poder defender as suas posições em segurança. O FMO repudia e condena qualquer violência contra essas pessoas ou grupos”, segundo um comunicado do FMO.

Outro banco de desenvolvimento, o FinnFund, anunciou também a suspensão de financiamento do projeto.
Esta é, assim, uma vitória para a causa de Berta Cáceres, que, infelizmente, não a pôde presenciar. Conseguirão estes anúncios forçar o governo a tomar ação e a deixar de considerar estes assassinatos como “incidentes isolados” (algo em que ninguém acredita)?

Fontes: The Guardian e TreeHugger

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