Produtos de beleza

Todos gostamos de cheiros agradáveis. Velas perfumadas, cremes e detergentes com aroma floral, ambientadores com cheiro a maçã – de que são feitas as fragrâncias destes produtos? A menos que sejam óleos essenciais naturais, o mais certo é que sejam uma combinação de químicos sintéticos.

A exposição a estas fragrâncias sintéticas tem efeitos negativos a curto e a longo prazo para a nossa saúde. Aplicar um químico perfumado na nossa pele ou no ar que respiramos afeta, não só, a nossa saúde, como a das pessoas e animais que partilham o mesmo espaço que nós.

Existe uma rotura radical entre as fragrâncias atuais e as do passado, que utilizavam óleos essenciais puros e cujo fim era, principalmente, terapêutico.
As fragrâncias dos nossos dias são muito diferentes dos bálsamos curativos tão apreciados pelo mundo antigo que alguns valiam mais do que ouro.
Chega a ser irónico que as fragrâncias estejam agora a ganhar reputação de fumo “em segunda mão”, sendo que a palavra “perfume” vem do latim “per fumum” (através do fumo).
Nos espaços públicos, respira-se o que é, hoje em dia, apelidado de “fragrância em segunda mão”. Esta é a combinação de químicos nocivos que estão a ser libertados para o ar do espaço público a partir de ambientadores, produtos de limpeza, para além dos produtos utilizados por cada pessoa (laca, champô, detergente de roupa, perfume, etc.). Isto afeta a qualidade do ar e faz com que, mesmo quem opte por não usar estes produtos, esteja a respirar involuntariamente ar contaminado.
Lavar a roupa com detergentes e amaciadores perfumados liberta químicos para a pele e para o ar ao longo do dia. À noite, dormir roupa lavada com os mesmos produtos tem o mesmo efeito. Estamos rodeados de fragrâncias 24 horas por dia.

De que são feitas as fragrâncias dos produtos?

A “fragrância” (ou “perfume”) listada nos rótulos de ingredientes dos produtos é uma combinação secreta de substâncias que pode ser feita de 1, 2 ou centenas de químicos sintéticos, que não precisam de ser revelados.

Muitos dos produtos com “fragrância” nos ingredientes contêm disruptores endócrinos conhecidos como ftalatos. Os ftalatos têm sido associados a doenças e problemas de saúde como os diabetes, obesidade, cancro de fígado e da mama, autismo, disfunção hormonal que afeta o crescimento e a fertilidade.
Infelizmente, por causa da falta de transparência e do secretismo na rotulagem, é difícil fazer escolhas informadas dos produtos com fragrância.
A maioria das substâncias sintéticas utilizadas na produção de fragrâncias é derivada de petroquímicos. Estes ingredientes (de acordo com uma análise de 1991 da EPA) podem causar cancro, defeitos de nascença, problemas no sistema nervoso, asma e alergias.
Para complicar um pouco mais, segundo um estudo da Universidade de Washington, publicado em 2010, muitos produtos ditos “sem perfume” ou “livres de fragrâncias” são, na verdade, os mesmos produtos perfumados com a adição de uma fragrância para disfarçar o cheiro.

Óleo essencial de lavanda

Fragrâncias e Óleos Essenciais
O termo "fragrância natural” ou “óleo essencial” numa lista de ingredientes não significa necessariamente que este seja seguro. Num estudo norte-americano que analisou 25 produtos best-sellers, os investigadores descobriram que os produtos “verdes”, naturais e biológicos perfumados emitiam a mesma quantidade de químicos perigosos que os habituais produtos perfumados. Isto deve-se ao facto da maioria dos óleos essenciais nestes produtos serem processados com um solvente tóxico. Para além disso, óleos essenciais que contêm terpenos, como o de pinheiro e os de citrinos, reagem com o ozono do ar circundante, criando poluentes secundários como o formaldeído, acetaldeído, acetona e partículas ultrafinas. Para assegurar a sua segurança, os óleos essenciais devem ser certificados biológicos e devem ser extraídos sem solventes.
Os produtos perfumados são prejudiciais para a nossa saúde. Bebés, crianças, idosos e doentes com cancro ou outras doenças crónicas estão particularmente em risco. A procura por produtos que “cheirem bem” reflete a falta de informação dos consumidores. Mas começam a ser tomadas algumas medidas. Cidades como Detroit criaram zonas livres de fragrâncias, onde se desencoraja a utilização de perfume ou after-shave. A Associação Americana do Pulmão criou uma política para locais de trabalho e escolas livres de fragrâncias. O hospital Universitário de Harvard é um modelo pelas suas políticas “fragrance-free” (livres de fragrância).

A melhor forma dos consumidores influenciarem estas indústrias é no ato da compra. Seja proactivo e compre apenas produtos sem perfume ou com óleos essenciais puros. O ato de remover os produtos com fragrâncias sintéticas melhorará imediatamente a qualidade do ar na sua casa.

  1. Evite comprar produtos perfumados (a não ser que contenham óleos essenciais biológicos)
  2. Livre-se de todas as fragrâncias sintéticas
  3. Invista em alternativas sem perfume e não tóxicas

Fonte: Branch Basics
Partilha:

Comentários:

3 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Nunca ouvi tanta falta de informacao correta sobre a industria da perfumaria. Nao publiquem o que desconhecem por favor. Isso so confundira o consumidor e nao o ajudara.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Blue Lotus Flower,
      Este artigo não é sobre a indústria da perfumaria, mas sim sobre as fragrâncias sintéticas presentes na maior parte dos produtos que usamos em casa(detergentes, amaciadores, velas, ambientadores, etc.) e os que usamos em nós (champôs, gel de duche, perfumes, cremes, etc.).
      Um abraço,
      Mab

      Eliminar
  2. A indústria da perfumaria não usa químicos nocivos como fragrâncias?

    ResponderEliminar

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.