A FDA (Food and Drug Administration), o órgão que regula os alimentos nos EUA, anunciou que pretende realizar testes para avaliar a presença de resíduos de glifosato nos alimentos.
A medida foi decidida após a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter classificado o glifosato como "cancerígeno provável para o ser humano". Enquanto os órgãos oficiais norte-americanos não se responsabilizavam pelos testes, a própria sociedade civil, cientistas e empresas privadas começaram a fazer análises nos alimentos.

As avaliações demonstraram que o resíduo agrícola estava presente em diversos alimentos, como a farinha, o molho de soja, cereais, o mel, entre outros. Até mesmo no leite materno foram identificados traços de glifosato.
A situação pressionou a FDA, que anunciou que irá medir o glifosato na soja, no milho, no leite e nos ovos.

A soja e o milho são os grãos que mais são pulverizados com glifosato durante a sua produção, além de serem normalmente comercializados na versão geneticamente modificada.
Os testes a resíduos de pesticidas agrícolas são regularmente feitos pela FDA. No entanto, o glifosato estava fora desta lista, sob a justificação de que os testes eram muito caros e desnecessários. Após tanta pressão, o FDA informou que conseguiu desenvolver métodos mais simples e baratos para as análises.
Durante décadas o glifosato foi usado apenas como um herbicida específico, patenteado pela Monsanto. No entanto, hoje em dia está presente em centenas de pesticidas usados para diferentes propósitos em todo o mundo. Até mesmo as culturas que não são geneticamente modificadas são pulverizadas com o glifosato, como acontece com o trigo, com o intuito de secá-lo antes da colheita.
Nos EUA, o uso do glifosato cresceu 20 vezes entre 1995 e 2014. Na última década a aplicação de glifosato em Portugal aumentou cerca de 50%, com 1400 toneladas usadas só em 2010. Ao todo, no mundo, consomem-se mais de 130 milhões de toneladas por ano.

Fonte: CicloVivo
Foto: Flickr - Mike Mozart

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