Investigadores portugueses criaram detergentes amigos do ambiente e menos tóxicos do que os que são derivados do petróleo, a partir de materiais como lenhocelulose e açúcares encontrados no lixo.
"Procuramos produzir uma molécula de maior valor que pode, de alguma forma, substituir potencialmente produtos derivados do petróleo, como os detergentes", disse César Fonseca, cientista que coordenou o trabalho, no Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).
As conclusões obtidas "têm essencialmente duas vantagens, uma é a produção destes detergentes a partir de matéria-prima renovável, como resíduos ou lixo, e por outro lado, estas moléculas, sendo produzidas biologicamente, também são menos tóxicas e biodegradáveis", explicou.
O projeto foi vencedor na categoria de Investigação na iniciativa Green Projects Awards, recebendo o Prémio Jerónimo Martins para Investigação e Desenvolvimento, de 20 mil euros.

O trabalho inicial dos investigadores centrava-se na produção de biocombustíveis a partir de materiais lenhocelulósicos de resíduos agrícolas e outros tipos de desperdícios para obter alternativas aos combustíveis fósseis, mas acabaram por encontrar a uma solução para biodetergentes.
É possível utilizar "todos os resíduos que possam conter lenhocelulose e açúcares associados a estes materiais, tanto resíduos agrícolas, das florestas, como lixo urbano, onde se encontra muito papel", explicou César Fonseca.
Depois de demonstrada a possibilidade de produzir o 'detergente verde' a partir de lixo agrícola, em laboratório, os investigadores estão agora a procurar conseguir um detergente especificamente criado a partir de resíduos urbanos.
"Estamos a procurar, por um lado, diversificar o número de resíduos que podemos utilizar, e por outro testar novas aplicações e [ter a] certificação do produto", informou César Fonseca.

Fonte: Sapo24
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