A Coreia do Sul e o Japão concluíram, dia 28 de dezembro, um acordo histórico sobre a questão das “mulheres de conforto”, mulheres coreanas forçadas a trabalhar em bordéis para os soldados japoneses durante a II Guerra Mundial.
A Coreia foi um protectorado nipónico e, em 1910, foi anexada ao Japão, e assim permaneceu até 1945. O Japão pediu desculpa e vai pagar 1000 milhões de ienes (7,5 milhões de euros) de compensação a estas mulheres. O pedido de perdão inicial por parte do Japão foi feito em 1993.

"Abe, como primeiro-ministro do Japão, pede desculpas do fundo do coração a todos os que sofreram e que ficaram com cicatrizes que são difíceis de sarar física e mentalmente", disse Fumio Kishida, ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, após o encontro com o homólogo sul-coreano, Yun Byung-se.
“O Governo japonês sente uma profunda responsabilidade” por ter recrutado “mulheres de conforto” com “o envolvimento do seu exército” e por ter danificado gravemente a honra e a dignidade de muitas mulheres, reconheceu Kishida.
O primeiro-ministro Shinzo Abe tinha anteriormente declarado que “não há prova de que elas foram realmente forçadas” a trabalhar nos bordéis. Mais tarde, desculpou-se por esta declaração.
“Partindo do princípio de que as etapas do acordo serão cumpridas pelo Governo japonês, o executivo sul-coreano confirma que o assunto está resolvido de forma definitiva e irreversível”, afirmou Yun Byung-se.

Na Coreia do Sul, estão ainda vivas 47 das cerca de 200 mil mulheres que foram obrigadas a prostituir-se com os soldados japoneses, e têm idades compreendidas entre os 80 e os 90 anos. Lutam pelo reconhecimento do que o Estado japonês lhes fez e por uma indemnização. Não aceitam o termo prostituição e dizem terem sido enganadas e forçadas a abandonar as suas casas com a promessa de um emprego. Na realidade, foram levadas e mantidas em cativeiro, onde eram exploradas sexualmente. Na China, pelo menos outras 200 mil mulheres foram também colocadas em bordéis, assim como noutros países asiáticos que estiveram sob o jugo japonês durante a II Guerra, como a Indonésia.

Yoo Hee-nam, de 88 anos, reagiu ao acordo dizendo que “se olhar para trás, vivi a minha vida privada de direitos básicos como ser humano. Por isso, não posso estar totalmente satisfeita”. O Conselho Coreano das Mulheres Usadas na Escravatura Sexual pelo Japão, um grupo de apoio que ergueu uma estátua de homenagem a estas mulheres frente à embaixada do Japão em Seul, em 2011, denunciou o acordo, pois considera que o Governo sul-coreano excedeu a sua autoridade ao dizer que o assunto está completamente resolvido.


Fontes: Público e RTP
Fotos: Hong Ki-Won/REUTERS e Yonhap

Partilha:

Comentários:

1 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. O papel-fé-moeda COMPRA TUDO!

    Ainda sobre a cena da Tina andar por aí a cantarolar mantras... serão remorsos?! Ou está apenas a ver se ganha mais algum?

    Desde a Tininha, passando pela Madona, acabando nas actuais (mais jovens e mais tenras) escravas ao serviço dos DONOS, são todas iguais!

    Be cool!

    ResponderEliminar

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.