O documentário "Em Nome da Terra"sobre o Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, pai da ecologia em Portugal, foi realizado pela jornalista Rita Saldanha e produzido por Miguel Ferraz.

"O homem do futuro está a nascer por todo o lado e é aquele que, com memória do passado, vai conseguir construir o futuro, ou seja, juntar a cidade e o campo."

Nos últimos 50 anos, Gonçalo Ribeiro Telles não se tem cansado de alertar Portugal para a necessidade de adoptar um modelo de desenvolvimento sustentável.

O futuro sustentável assenta assim numa verdadeira política de Ordenamento do Território, onde é urgente conservar a Paisagem, preservando a Biodiversidade e mantendo os ciclos de vida dos sistemas naturais fundamentais à vida dos portugueses.
É em Nome da Terra e da sustentabilidade de Portugal, com espírito de serviço, que este humanista considera que o país vive uma crise de valores por ter governantes "desconhecedores do que é a Paisagem".

Desde sempre incómodo para o sistema, já foi considerado um monárquico lunático. No entanto, sempre que teve os destinos ambientais do país nas suas mãos, saiu em defesa da paisagem, da criação de corredores verdes nas cidades, protegeu o coberto vegetal e as Reservas Agrícola e Ecológica Nacionais.

A humanidade está numa encruzilhada, mas segundo o arquitecto paisagista, Portugal ainda é capaz de recuperar. Para isso, o país tem de voltar a ter referências, tem de conhecer a nossa Paisagem, as nossas raízes e as nossas emoções.
Para Gonçalo Ribeiro Telles "todos estamos numa marcha". Porém, "enquanto caminhamos temos de reflectir e ser inquietos na marcha..."

Ser útil hoje é falar do despovoamento do mundo rural, da morte lenta das cidades, da "paisagem que é ainda um problema", porque os políticos, desinformados, continuam a dizer que querem defender os ecossistemas e a achar, ao mesmo tempo, que um eucaliptal é uma floresta: "Eles não sabem que nos eucaliptais não cantam os passarinhos e na floresta sim". O que é que lhes falta para saber olhar para o território? "Andar a pé, conhecer o país inteiro, as pessoas", responde este homem para quem "é mais fácil deixar marcas na paisagem do que nas pessoas".

“Temos as aldeias com senhores envelhecidos, não está lá ninguém. É preciso muita coisa principalmente uma nova mentalidade para o planeamento do território.”
“Há uma ignorância total do que é um território, que tem de ter uma certa população a viver com dignidade.”

Para o arquitecto “é preciso tirar o maior partido possível das áreas que têm possibilidade de criar alimento. Há instrumentos para o fazer mas não são traduzidos nos planos directores municipais. Muitas vezes são considerados como obstáculos ao desenvolvimento e ao progresso, o que é uma coisa espantosa”.

"84% da população mundial vai viver para as cidades, que ficam desmesuradas, ou então são todas torres, o que é desumano. Temos de criar um Éden para esta cidade, e temos que criar dentro do Éden o paraíso, que é o jardim."
Fontes: Rtp2, público, sapo notícias, jornal de negócios


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Comentários:

2 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Lindo trabalho de Gonçalo Ribeiro, e vou assistir sim, e maravilhoso post, parabéns...

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  2. Espero que goste!
    Um documentário que mostra que os políticos e as pessoas responsáveis pelo planeamento urbano se esquecem que as cidades deviam ser criadas para as pessoas - com bons espaços verdes -, mas que, em vez disso, as casas e prédios são criados só com vista ao lucro rápido...

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