Numa reunião de intelectuais, cada um dos representantes das nações presentes (Portugal, França, Inglaterra, Itália, Israel, Alemanha e Argentina) resolve recitar um excerto dos Lusíadas, de Luís de Camões, por Zé Vasconcellos.


"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta."

Canto I (Lusíadas)
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Comentários:

2 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Os bons vi sempre passar
    No mundo graves tormentos;
    E para mais me espantar,
    OS MAUS VI SEMPRE NADAR
    EM MAR DE CONTENTAMENTOS.
    Cuidando alcançar assim
    O bem tão mal ordenado,
    Fui mau, mas fui castigado:
    Assim que só para mim
    Anda o mundo concertado.

    Luis Vaz de Camões-Desconcerto do Mundo

    Ainda continuamos a ver os maus nadarem

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  2. Olá Ana,
    o que só demonstra que Camões continua actual...

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