Estiveram na fila da frente ao lado dos homens nas manifestações da Tunísia ou do Egipto. No Bahrein formaram uma massa negra no meio da multidão, vestidas nas tradicionais abayas. Na Arábia Saudita não podem sequer conduzir, são obrigadas a entrar por portas específicas nos restaurantes e são condenadas com açoites quando são apanhadas a conversar com um homem que não seja familiar.
Marrocos, Argélia, Tunísia, Egipto e Síria são exemplos de que "quanto maior a laicidade, maior o poder das mulheres no país", explica Ângelo Correia (presidente da Câmara de Comércio Luso-Árabe).

Zonas como o Egipto, Síria, Líbano e Norte do Iraque mostram que "quanto maiores os segmentos de cristandade, mais livres as mulheres são". Pelo contrário, "quanto maior a influência de algumas escolas jurídicas - como é o caso da escola hanbalita - menos estatuto é dado à mulher, como acontece na Arábia Saudita".

Movimentos feministas juntaram-se às recentes mobilizações populares contra os regimes dos países árabes. E até na Arábia Saudita - país em que as mulheres têm 1,44 de liberdade numa escala de 1 a 5, de acordo com a Freedom House - começam a aparecer, na Internet, expressões no feminino contra o regime.

Para Dias Farinha (director do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos), o elevado acesso das mulheres à educação nesses países - os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, têm a taxa mundial mais elevada de mulheres no ensino superior -, a abertura de lugares para a entrada de mulheres nos cargos políticos e a maior influência do Ocidente, veiculada através dos media, podem ser os factores decisivos na alteração de mentalidades: "Vão mostrar a esses meios mais conservadores que existem outros padrões de existência e que essa é a via para progredir." O problema, concordam os especialistas, não é o Islão. "A doutrina não faz nenhuma perseguição à mulher", confirma Ângelo Correia. O problema tem outros nomes: tradições, organização social e até homens.

"O problema das mulheres árabes é um problema de homens, que transformaram o Islão numa coisa à sua maneira", resume Manuel Pechirra, presidente do conselho directivo do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação.

No mundo árabe, "a passagem da vida nómada à sedentária levou as mulheres para casas fechadas ao exterior", recorda Dias Farinha. E as mulheres nem sempre acompanharam as mudanças nas leis. "Na Tunísia, por exemplo, foram precisas décadas de luta pela libertação da mulher de formas de vida arcaicas. Eram fechadas em caves antes do casamento para ficarem mais brancas e mais obesas."

Fonte: ionline

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Comentários:

4 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Para além da riqueza cultural dos países árabes, ainda vivem na idade média... tal e qual.

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  2. Sempre que tenho a hipótese de dizer, o que a seguir vou escrever, digo/escrevo: Enquanto vivermos sob a Sombra do Sistema Monetário e da Religião, nunca seremos os Seres Vivos que realmente poderíamos Ser...

    Infelizmente, para poucos, isto nunca será possível no nosso tempo de vida, que é cada vez menor... Enfim...

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  3. Olá politikus,
    não deixa de ser curioso o facto dos Emirados Árabes Unidos terem a taxa mundial mais elevada de mulheres no ensino superior...

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  4. Olá Voz a 0 db,
    pois é, enquanto esses dois (sistema monetário e religião) fizerem o trabalho fantástico que têm feito até aqui, dificilmente seremos esses "Seres Vivos que realmente poderíamos Ser..."

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