Quando, em 1894, o barão Pierre de Coubertin reinventou os Jogos Olímpicos, na esperança de que a competição não fosse uma forma de manifestação política ou uma arma para promover ideologias, não imaginou que os países fossem fazer exactamente o contrário.

Em 2008, sob o lema "somos todos chineses", nove atletas olímpicos da Alemanha posaram para a fotografia com os uniformes oficiais e os rostos escondidos atrás das imagens de dissidentes da China. Apesar da promessa de adoptar medidas de protecção dos direitos humanos, o governo condenou à prisão uma série de activistas locais. Os alemães acenderam o rastilho e um pouco por todo o mundo rebentaram os protestos.

O mais recente protesto aconteceu agora no mar. Cori Schumacher, a actual campeã de longboard, não vai competir no Tour em protesto contra a violação dos direitos humanos na China. No email que a actual campeã do Mundo enviou à ASP, a entidade reguladora do surf, pode ler-se: "Tenho sérias reservas políticas e pessoais a fazer parte de qualquer tipo de actividade que beneficie um país que se envolve activamente em violações dos direitos humanos, especialmente no que toca aos direitos das mulheres". A decisão de organizar o primeiro evento ASP na China (ainda a anunciar), lembra Cori, "aconteceu depois de uma importante audiência no Congresso dos EUA a propósito da política do filho único, praticada pelo governo chinês, e que está ligada ao generocídio, à escravidão sexual, à esterilização e aos abortos forçados".

Profundamente revoltada e perturbada, a norte-americana fez duras críticas ao facto de a ASP ter escolhido para 1º grande evento de surf na China um campeonato mundial feminino. "Sinceramente, não acredito que a ASP e a indústria do surf existam num espaço apolítico. É com o coração pesado que devo dizer que sou moralmente obrigada a não participar nos eventos WLT (Women''s Longboard Tour) deste ano", comunicou Cori Schumacher.

O protesto da actual campeã do mundo caiu como uma bomba na caixa de email da ASP. O órgão máximo do surf apressou-se a justificar: "Este evento é uma oportunidade única para as longboarders serem embaixadoras de boa vontade num país onde raramente são permitidos exemplos deste tipo." Brodie Carr, a voz da ASP, apelou à campeã: "Na minha humilde opinião, creio que tu [Cori Schumacher], com a tua presença, podes fazer muito mais pelo bem daquele país, podes inspirar as pessoas, em vez de te limitares a protestar. Como campeã mundial e ícone de atletas de todo o mundo, gostaríamos de contar com o teu apoio e com a tua participação neste evento."

"O que me está a ser pedido a mim e às outras longboarders é que sejamos embaixadoras de boa vontade de uma forma altamente ingénua. Do ponto de vista do negócio, entendo que a ASP esteja em tão grande perigo de ruptura económica como todos nós. Lutamos para pagar as nossas contas, as hipotecas e alimentar as nossas famílias. Mas se for à custa dos direitos de outra pessoa, prefiro ficar sem nada", concluiu Cori.

Fonte: Ionline
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