Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro (UA), em colaboração com a Faculdade de Farmácia do Porto e a Universidade Fernando Pessoa, criou novas formulações a partir de areia carbonatada biogénica e de argila esmectítica (bentonite) que resultaram em cremes hidratantes, sabonetes e géis esfoliantes.

Estes novos produtos apresentam propriedades específicas relevantes ao nível mineralógico, térmico, químico, bioquímico e hidroquímico, tanto no estado natural como depois de desenhados e reformulados.

"As areias carbonatadas biogénicas da ilha do Porto Santo possuem baixa dureza, todavia bastante para poderem actuar como agente esfoliante”, explicam os investigadores Celso de Sousa Figueiredo Gomes e João Baptista Pereira Silva, da Unidade de Investigação Geobiociências, Geotecnologias e Geoengenharias (GEOBIOTEC), sediada na UA.

Acrescentam ainda que “estas areias apresentam singulares propriedades térmicas [retentoras de calor] e químicas [ricas em elementos químicos bioessenciais, tais como cálcio, magnésio, estrôncio, fósforo e enxofre e iodo]”.

A libertação destes sais minerais acontece “facilmente, durante o banho de areia, por dissolução química, quando esta entra em contacto com o suor humano de carácter ácido que é desenvolvido pelo facto da temperatura da areia ser um pouco superior à do corpo humano”, destacam os criadores destes produtos.

Manutenção das propriedades mecânicas da pele

Para além da esfoliação, a utilização deste tipo de cosméticos é importante para a manutenção das propriedades mecânicas da pele, nomeadamente a flexibilidade, a plasticidade e a elasticidade. Com este fim, os investigadores desenvolveram, também, produtos complementares de limpeza e hidratação, nomeadamente um gel de banho e uma loção contendo Aloé Vera.

A primeira demonstração pública das virtudes dos novos produtos constituiu um sucesso. As formulações entretanto desenvolvidas foram aplicadas em visitantes e voluntários da Bolsa de Turismo de Lisboa, no stand da Madeira, em Janeiro deste ano.

"A psamoterapia ou arenoterapia, se associadas a outras naturoterapias, tais como, climaterapia, helioterapia, hidroterapia e peloideterapia ou peloterapia podem promover e potenciar o Porto Santo como Estância singular de saúde natural”, sublinharam os investigadores, acrescentando que uma das suas preocupações "é introduzir nos produtos desenvolvidos o conceito de denominação de origem", pelo que actualmente estão a fazer a caracterização detalhada do produto e a procurar parceiros para o seu desenvolvimento e comercialização.

A ilha do Porto Santo possui um conjunto de recursos naturais diferenciadores, tais como clima, água do mar, água de nascente, areia carbonatada biogénica, argila esmectítica (bentonite) e, ainda, vegetais e frutos comestíveis, produzidos por agricultura biológica em solos desenvolvidos no tipo de areia especial referido, que permitem atribuir-lhe a designação de estância singular de saúde natural.

Tradicionalmente, a areia carbonatada biogénica é utilizada, sob a forma de banhos de areia, em tratamentos de doenças de foro reumático, ortopédico e fisiátrico e a argila esmectítica aplicada em máscaras faciais. Estes recursos têm vindo a ser estudados dos pontos de vista técnico, científico e clínico nos últimos 12 anos pela equipa multidisciplinar da UA para o seu aproveitamento e aplicação local em Clínicas de Geomedicina, em Centros de Talassoterapia e em SPAs.

Investigar e aproveitar com bases científicas alguns dos recursos referidos foi o ponto de partida do estudo que se iniciou em 1995 com o objectivo de identificar e caracterizar as propriedades relevantes da areia que pudessem ser justificativas dos benefícios terapêuticos, reconhecidos empiricamente por médicos e pacientes, dos banhos tradicionais na areia carbonatada biogénica.

“A informação recolhida a partir dessa investigação em torno desta areia e da argila esmectítica proporcionou, através de um projecto iniciado em 2006, inovar e desenvolver estes produtos genuínos e diferenciadores com fins terapêuticos e medicinais”, explicam Celso Gomes e João Baptista.

Fonte: Ciência hoje
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