Cobaias Humanas
Os Testes de Medicamentos no Terceiro Mundo
 
de Sonia Shah

Prefácio de John Le Carré
Introdução de Fernando Nobre


Edição/reimpressão: 2008
Editor: Caleidoscópio
17,80€

Cobaias Humanas é um livro corajoso que expõe um dos maiores atentados à dignidade humana, o uso de pessoas carenciadas como cobaias em testes de medicamentos.
O mundo subdesenvolvido apresenta-se perante as grandes empresas farmacêuticas como um laboratório humano livre dos olhares indiscretos do mundo ocidental. Depois de vários anos de investigação, Sónia Shah expõe casos concretos ocorridos da Ásia a África. Em lugares como a Índia ou a Zâmbia, onde as doenças, a pobreza extrema e o desespero são moeda de troca barata para o abuso da indústria farmacêutica.

Os testes de drogas, práticas sem ética, da indústria mais rica do mundo que, para desenvolver novos medicamentos para os ricos, nega as necessidades de saúde do terceiro mundo.

A autora
Jornalista independente, autora do livro Crude: The story of oil. Nasceu em 1969 em Nova Iorque, filha de médicos emigrantes indianos. Publica artigos em diversos jornais e revistas.

“Este livro é um acto de coragem por parte da sua autora.”
John Le Carré (Autor de “O Fiel Jardineiro”)

Introdução de Fernando Nobre(Presidente da AMI):

“O livro de Sonia Shah, “As cobaias humanas – os testes de medicamentos no 3º mundo”, conta uma história de terror, infelizmente verídica! Ainda há pouco tempo, um amigo médico africano, com elevadas responsabilidades num organismo das Nações Unidas, contou-me as enormes pressões a que foi submetido para que desse cobertura ética e científica a um ensaio terapêutico que não respeitava minimamente as normas e os cânones exigidos pelos protocolos internacionalmente aceites sobre ensaios medicamentosos... O livro de Sonia Shah, fruto de uma investigação aprofundada e séria cita, e bem, nomes da indústria farmacêutica que, muitas vezes sob a cobertura de empresas de fachada, “testas de ferro”, praticam uma das mais abomináveis violações dos Direitos Humanos ao pôr em risco a integridade física de seres humanos, quando não a própria vida, sem o seu informado consentimento.

Essas actividades ilegais, verdadeiros crimes bioéticos, são sempre praticados junto dos grupos humanos mais miseráveis dos países mais vulneráveis, pese embora também nos países “mais” desenvolvidos tais actividades já tenham sido levadas a cabo no passado, em prisões e em asilos para deficientes psíquicos e mentais. Ao fim e ao cabo, a sinistra epopeia dos médicos malditos nazis durante a II Guerra Mundial não foi assim há tanto tempo…

Os desvarios bem documentados por Sonia Shah, que também dá rosto humano a muitas das esquecidas vítimas, são sempre eticamente condenáveis, porque como já referi, são verdadeiros crimes que deveriam ser exemplarmente punidos. Esses crimes só são possíveis, porque as empresas e as pessoas que os praticam estão enfermas com os vírus da ganância e da indiferença que as incentivam a praticar actos bárbaros na procura de ganhos financeiros astronómicos mesmo, e sobretudo, á custa de vidas alheias, porque miseráveis e anónimas.

Este livro fala de uma imoralidade monstruosa praticada contra vidas indefesas e contra a consciência humana. Esses pseudo-testes medicamentosos são levados a cabo com a exclusiva finalidade do embuste e do lucro sem limites, violando brutalmente os protocolos e preceitos ético-científicos internacionalmente conhecidos, junto de populações miseráveis como já referi, mas que faço questão de repetir, em países onde muitos responsáveis políticos e administrativos, médicos ou não, se mostram particularmente sensíveis e moldáveis à corrupção desses vampiros encobertos de “respeitabilidade”…

Quando seres humanos são vistos como meras cobaias sem qualquer direito perante empresários e cientistas gananciosos e amorais, enclausurados nas suas torres de marfim está mais do que justificado o livro corajoso que temos entre mãos.

É essencial relembrar que, como está escrito nos princípios de base da Declaração de Helsínquia, o bem individual da pessoa deve sempre prevalecer, em qualquer ensaio clínico, sobre os interesses da ciência e da sociedade. É também útil relembrar aos médicos e enfermeiros que a nossa razão de ser é o desejo de atenuar o sofrimento e de lutar pelos nossos doentes!

Sonia Shah, com este livro, pôs o dedo numa das chagas vivas do nosso tempo. Faço votos para que as pessoas leiam este livro, pois esta, como outras chagas da nossa Humanidade, têm cura. Para tal, bastará que não olhemos para o lado e nos empenhemos todos na luta contra a miséria humana e o subdesenvolvimento, pântano onde todas as sanguessugas se deleitam. Só com o fortalecimento da Cidadania Global Solidária, última muralha contra os horrores e os terrores como os que são aqui magistralmente retratado por Sonia Shaha, será possível pôr-se termo definitivamente a este tipo de desvario.

Por isso, obrigado e bem haja, Sonia! Este seu livro é mais uma pedra na edificação de uma Humanidade de valores que sonho, que todos sonhamos….”
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