Já pensou no percurso que um bife faz antes de chegar ao seu prato? Conheça os inúmeros impactos desse acto aparentemente "normal" através deste documentário, que contém o depoimento de jornalistas, médicos, nutricionistas, psicólogos, entre outros.

Realização do Instituto Nina Rosa

(AVISO: O documentário tem imagens chocantes para pessoas mais sensíveis, mas que devem fazer parte do conhecimento comum sobre a forma como a carne é produzida hoje em dia – as antigas quintas com animais em liberdade fazem parte do passado… No presente existem fábricas para criar carne…)


Artigo "A Carne é Fraca" retirado de O Interior:

“Determina a nossa dentição que podemos comer de tudo, e assim temos feito. Em quantidades cada vez maiores e cada vez com menos critério e conhecimento de causa. Sabemos que temos de comer, e pronto. Sabemos também que a comida, sendo essencial para a nossa sobrevivência, é também a fonte de boa parte dos nossos problemas. A obesidade, os cancros, as doenças cardiovasculares, as carnes balofas pendendo flacidamente dos cintos, albergando doenças, tudo isto nos vem da comida. E há outra coisa: cada vez menos a carne é fonte de prazer por si só. Precisa de molhos e processamento para saber a alguma coisa que agrade. Parece toda igual: seca, dura, de borracha. São necessários conhecimentos cada vez mais sofisticados para fazer alguma coisa de jeito de tão fraca matéria prima. Ou então, há que triturá-la, fritá-la e que a servir com ketchup – o remédio universal para transformar comida má em comida má com ketchup.

Retiro do congelador uma “cuvete” de carne e examino a informação: “Lombinhos de Porco; sugestão: assar, fritar, grelhar”. A etiqueta exibe ainda um código de barras, o preço, o peso, alguns números. Não sei quando foi abatido o animal e com que idade, se é de produção extensiva, intensiva, biológica. Não sei se provém de macho, ou de fêmea. Se a carne foi maturada ou não, ou durante quanto tempo. Ou que antibióticos, ou outros medicamentos, lhe foram administrados. E mais: qual foi a sua alimentação? O omnipresente milho, misturado com restos triturados de animais impróprios para consumo humano, ou pastos, bolota, frutos, a alimentação que ele escolheria se tivesse a oportunidade?

Há muitas maneiras de preparar essa carne. Experimentemos assá-la. O forno a 200 graus, indispensável para caramelizar a superfície da peça e reter depois os sucos da carne. Depois, passados alguns minutos, baixando a temperatura, iremos acabar de cozinhar a carne. Ficará pronta com uns quinze minutos de repouso. Bastará depois preparar um molho. por exemplo diluindo os sucos libertados na assadura com vinho ou cerveja, e um acompanhamento. Mas, surpresa!, a coisa começa desde logo a correr mal. Da carne, colocada no forno a 200 graus, começa a libertar-se de imediato uma feia espuma. Em lugar de ficar tostada, assda e castanha, a carne fica cinzenta e cozida. É evidente que tem demasiada água e que está a libertá-la pelo calor. Não sei de onde vem este porco, mas sei que a sua carne vai ficar uma porcaria e nem o ketchup o poderá salvar.

Porquê? Eu respondo, mas aviso já que o que segue não é para mentes sensíveis. Pare de ler enquanto é tempo, ou então assuma as consequências! O porco, nos últimos dias da sua miserável vida, em que esteve confinado a um espaço demasiado exíguo para as suas necessidades, ao ponto de o levar a roer a cauda do porco da jaula à sua frente (ao ponto de se ter começado a optar por amputar a cauda dos porcos logo à nascença – não toda, que um pedaço de cauda reserva o mínimo de sensibilidade para o fazer fugir do porco da retaguarda), esse porco, dizia, recebeu medicamentos que o fizeram reter líquidos, alguns dias antes do abate. Esses líquidos, supérfluos e desagradáveis que sejam na assadeira do leitor (…) contam como carne do lombo na balança…”
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Comentários:

2 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Obrigada por postares os videos, valeram mesmo a pena!

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  2. Sim, vale a pena. Este documentário é uma janela para se poder espreitar o lado escondido da produção de carne desta tão civilizada sociedade...

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