Lince ibérico - Lynx pardinus - (também conhecido como cerval, lobo-cerval, gato-cerval, gato-cravo e gato-lince).
A sua pelagem é castanho-amarelada com pintas negras e a cauda é curta com a ponta preta.

Duas características muito particulares são o facto das orelhas possuírem nas extremidades pêlos em forma de pincel, assim como as longas patilhas que crescem ao longo do tempo. Tem um porte muito maior do que um gato doméstico e é um trepador exímio.

É essencialmente nocturno. Alimenta-se quase exclusivamente de coelhos-bravos, mas quando estes faltam come veados, ratos, patos, perdizes ou lagartos. Como predador de topo que é, o lince ibérico tem um papel fundamental no controlo das populações de coelhos e de outros pequenos mamíferos de que se alimenta.

O seu habitat restringe-se à Península Ibérica (bosques e matagais mediterrânicos), existindo apenas cerca de 100 linces ibéricos em liberdade em toda a Península Ibérica. O lince-ibérico não é avistado no território nacional desde 2001, mas estima-se que, em meados dos anos 90, existiriam 1000 a 1200 exemplares distribuídos por 9 núcleos populacionais, entre Portugal e Espanha.


Na lista das espécies em vias de extinção em Portugal, o lince-ibérico assume os lugares cimeiros. Este é mesmo considerado o felídeo mais ameaçado do mundo, estando classificado como “criticamente em perigo” pelos Livros Vermelhos de Portugal e da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Em Espanha, o lince continua a viver no seu habitat natural, fruto dos esforços feitos pelo governo espanhol para recuperar a população, que aumentou já em 49%. Já há 188 animais entre a Sierra Morena e Doñana, na Andaluzia, um feito que levou a União Europeia a premiar o “Life Lince” andaluz como um dos cinco melhores projectos ambientais financiados com dinheiros comunitários.
A regressão desta espécie em Portugal iniciou-se durante a "campanha do trigo" nos anos 30-40, altura em que o seu habitat foi consideravelmente reduzido. Mais tarde, a mixomatose e a febre hemorrágica viral foram responsáveis por uma acentuada regressão das populações do coelho-bravo (a sua principal presa). Seguiu-se a destruição das áreas naturais para a plantação de espécies florestais mais rentáveis economicamente como é o caso dos pinheiros e dos eucaliptos.

Apenas nos finais da década de 90 foi assumida a preocupação nacional com a espécie e foi promovida uma avaliação da situação populacional do lince (Programa Liberne – Instituto de Conservação da Natureza). Os resultados dessa avaliação vieram confirmar o declínio generalizado da espécie.

Aliados a todos estes factores, a utilização de armadilhas de coelhos, os atropelamentos e a caça ilegal conjugam-se para conduzir o lince-ibérico à beira da extinção.

Segundo as autoridades responsáveis, a extinção do lince-ibérico torná-lo-ia no único desaparecimento de um felino nos últimos 10.000 anos.

Até ao final de 2009, Portugal recebeu 20 exemplares de lince-ibérico (14 machos e 6 fêmeas), vindos de três centros de reprodução em Espanha (El Acebuche - em Doñana, La Olivilla - Raen e de Jerez de la Frontera). O Fado, o Eucalipto, a Espiga e a Erika são alguns dos animais visados pelo protocolo assinado. Os linces foram acolhidos no centro nacional de reprodução do lince-ibérico em cativeiro (fechado ao público), inaugurado em Silves em Maio. O projecto foi desenvolvido pela "Águas do Algarve" como parte das medidas de compensação ambiental pela construção da barragem de Odelouca, este projecto pretendeu assim iniciar uma nova era para esta espécie que se encontra em fase de pré-extinção na Península Ibérica. O Centro é composto por 14 amplos cercados vigiados por 80 câmaras. Segundo Artur Ribeiro, administrador da Águas do Algarve, o centro recebeu o aval positivo de Astrid Vargas, coordenadora do Programa Ibérico de Reprodução de Lince em Cativeiro, que o qualificou como sendo o "supra-sumo dos centros."

“Fomos ver o que de melhor se faz em Espanha nesta área, aprender com os erros dos outros para não os cometermos aqui”, referiu Artur Ribeiro, acrescentando: “se o temos que fazer, que o façamos bem.”

O protocolo prevê que Portugal prepare em 3 anos um habitat para receber o lince na natureza, sem ser em cativeiro.
«Ainda estamos a estudar os locais, mas posso dizer que estamos a avaliar as zonas da reserva da Malcata, do Vale do Guadiana e a zona de Barrancos», afirmou Humberto Rosa (secretário de Estado do Ambiente).

A ministra espanhola sublinhou a importância da cooperação entre os dois países. “Se não contássemos com Portugal, Espanha ficaria com um projecto miniatura”.

A serra da Malcata ainda é considerada um dos últimos refúgios naturais do território português guardando no seu interior importantes valores botânicos e faunísticos para além de constituir uma das zonas de eleição para a preservação do lince-ibérico. O Decreto-Lei nº 294/81, de 16 de Outubro, criou a Reserva Natural na sequência da campanha “Salvemos o Lince e a Serra da Malcata”, uma das manifestações “ecológicas” mais importantes até hoje realizadas na sociedade portuguesa.

A Reserva Natural da Malcata, está neste momento a tentar aumentar a densidade média de coelho-bravo (que representa 80% da alimentação do lince). Em algumas zonas conseguiu passar de 1 coelho por ha para 5, no período de 1997 a 2006. Para isso promoveu o refúgio ao abrir clareiras e ao plantar centeio, construiu ainda 180 abrigos e repovoou a zona com 1200 coelhos.



Referências: iol, região sul, público, CARNIVORA e wikipedia

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6 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. Óptima notícia. Sejam bem vindos esses novos linces, e esperemos que sejam bem tratados, e que se reproduzam.
    Excelente "post".

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  2. Olá !
    Este é sem sombra de dúvida um passo importante !
    Salvar o Lince da extinção !
    Para que as serras de Portugal sejam cada vez mais ricas.

    BJs
    ;)

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  3. Obrigado! Esperemos que os linces se sintam em casa!

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  4. eu gostei muito da vossa apresemtaçâo. eu sou o lucay

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